Charles Darwin na Bahia

 

Antes da expedição do Beagle, vários outros pesquisadores estrangeiros estiveram na Bahia, desde o século 16, incluindo britânicos. Como exemplo, o explorador inglês William Dampier fez pesquisas na Bahia, em 1699, quando Salvador já possuía um consulado britânico. Após a chegada da Família Real em Salvador, em 1808, a comunidade britânica começou a avolumar-se na Cidade. Em 1811, foi construído o Cemitério Britânico, na Barra, onde foram sepultados dois companheiros de Charles Darwin, que vieram no Beagle. No século 19, os ingleses construíram ferrovias na Bahia, fundaram sua Igreja Anglicana e jogavam cricket no Campo Grande.

Em 27 de dezembro de 1831, Charles Darwin, com apenas 22 anos, embarcou no His Majesty’s Ship (HMS) Beagle, como naturalista, em uma expedição científica britânica.

O jovem capitão do Beagle, Robert Fitz-Roy (1805-1865), era também um meteorologista e já havia feito uma viagem à América do Sul, na mesma embarcação, de 1826 a 1830.

Em 16 de janeiro de 1832, a expedição desembarcou em Cabo Verde e fizeram observações científicas. Em 16 de fevereiro, o Beagle passou pelo Arquipélago de São Pedro e São Paulo, do Brasil, e dois barcos foram baixados para explorar a Ilha de São Paulo, um deles com Darwin. Coletaram aves e ovos. Em 20 de fevereiro, aportaram em Fernando de Noronha e exploraram a Ilha, mas com a dificuldade no desembarque devido às ondas, decidiram partir no dia seguinte, em direção à Bahia.

Após 63 dias de viagem, desde que partiram da Inglaterra, o Beagle chegou em Salvador, em 28 de fevereiro de 1832, uma terça-feira. Era cerca de 9 horas da manhã, quando avistaram a costa baiana. Por volta de 11 horas, entraram na Baía de Todos os Santos.

Em seu Diário, Darwin mostra-se fascinado com a paisagem da Cidade. Salvador foi o seu primeiro contato com o Continente Americano. Ele fica especialmente deslumbrado com a exuberância da vegetação, mas relata que as construções tinham uma aparência elegante. Na Baía encontravam-se grandes navios.

No dia seguinte, Darwin caminhou pela Cidade, atento ao meio ambiente, e descreveu sua experiência como "delightfully: delight is however a weak term for such transports of pleasure..." Maravilha-se com a diversidade e abundância de espécimes vegetais, com as flores e com o verde brilhante. Na volta para o Beagle foi pego por uma "tropical storm", abrigou-se sob uma árvore "so thick that it would never have been penetrated by common English rain, yet here in a couple of minutes, a little torrent flowed down the trunk."

Em 1º de março, Darwin entrou por algumas milhas pelo interior. Observou a topografia composta por pequenas colinas e que cada novo vale era mais belo que o anterior. Coletou uma grande quantidade de flores brilhantes e coloridas, suficientes para fazer um florista "go wild".

Descreveu o cenário como o das Mil e Uma Noites (Brazilian scenery is nothing more nor less than a view in the Arabian Nights, with the advantage of reality. — The air is deliciously cool & soft; full of enjoyment one fervently desires to live in retirement in this new & grander world.).

Nos dias 2 e 3 de março, Darwin coletou algumas plantas e insetos e foi pego por mais chuva. Caminhou pelas ruas do Porto de Salvador, com Rowlett como cicerone. Observou que as ruas eram estreitas e que os prédios eram mais altos que os de Edimburgo.

Darwin notou que o odor na Cidade Baixa era desagradável. Maria Graham fez o mesmo comentário, mas observou que tal odor restringia-se ao Porto. Cabe aqui observar que, no início do século 19, não existia porto cheiroso no mundo. Londres não era exceção. O Rio Tâmisa, por exemplo, era um esgoto a céu aberto, era chamado de rio fedorento. Em 1858, as sessões do Parlamento foram suspensas por causa do cheiro insuportável. Somente nos anos 1970, o Rio Tâmisa foi definitivamente saneado. Darwin também observou que o aroma da Cidade Baixa clamava por perfume do mesmo jeito que em Edimburgo.

O capitão Fitz-Roy (Proceedings of the Second Expedition 1831-1836) odiou ainda mais a Cidade Baixa, chamando o lugar de dirty, narrow, crowded and hot. Mas observou que, ao se chegar na Cidade Alta, desfrutava-se de ar fresco, bela vista e ficava-se livre de qualquer aborrecimento. Fitz-Roy era um homem prático e não fez muitos elogios aos lugares por onde passou, mas na Bahia, relatou: Well-known authors have already said so much of Bahia, its spacious harbour, and delightful environs, that it would be impertinent in the writer of a mere narrative to add his hasty remarks to the calmly considered information which their works contain.

 

Robert Fitz-Roy nasceu em Suffolk, Inglaterra, em 1805. Foi um oficial da Marinha Britânica, renomado meteorologista e governador da Nova Zelândia (1843-5). Fez valiosas anotações como comandante da expedição do H.M.S. Beagle, publicadas, em 1839, com o título Narrative of the Surveying Voyages of His Majesty’s Ships Adventure and Beagle Between the Years 1826 and 1836, Describing Their Examination of the Southern Shores of South America, and the Beagle’s Circumnavigation of the Globe. Era muito religioso e amigo de Darwin, mas foi um opositor do darwinismo. Em 1863, publicou importantes contribuições à Meteorologia no livro The Weather Book. Suicidou-se em 1865. Alguns autores acreditam que as ideias de Darwin sobre a evolução das espécies teriam contribuído para o seu suicídio.

 

O Cemitério Britânico da Bahia, em 1835, onde os companheiros de Darwin foram sepultados (clique na imagem para mais informações).

 

Atobás no Parque Nacional de Abrolhos, habitat natural dessa aves marinhas (foto J. Freitas).

 

O HMS Beagle no porto de Sydney, em 1838, pintura de 2006 de Ron Scobie, membro da Australian Society of Marine Artists.

 

Esta é uma Fregata minor, em Galápagos. Provavelmente, a ave vista, em Abrolhos, pelo capitão Fitz-Roy, que a descreveu assim:

A large black bird, with a pouch like that of a pelican, but of a bright red colour, was very remarkable, as it hovered, or darted among the bright verdure, and at a distance looked handsome; but when seen close, it at once descended to the level of a carrion-eating cormorant or buzzard.

 

Esta cena de Carnaval no Rio de Janeiro (dia d'entrudo), registrada por Debret, em 1823, tem semelhança com os eventos relados por Darwin no Carnaval de Salvador. As brincadeiras do Entrudo aconteciam durante o Carnaval e chegaram ao Brasil com os portugueses.

 

Salvador em ilustração com base no desenho de Augustus Earle, que acompanhou Charles Darwin, em 1832. É possível, entretanto, que esse desenho de Earle seja anterior a 1824, quando ele viveu no Brasil e também fez um desenho de Maria Quitéria e outro de luta de capoeira.

 

Charles Darwin por volta de 1840, em aquarela do pintor inglês George Richmond (1809-1896).

Charles Robert Darwin nasceu em 12 de fevereiro de 1809, em Shrewsbury, Inglaterra. Em 1825, entrou para a Universidade de Edimburgo para estudar Medicina, mas ficou apenas por dois anos e interessou-se mais pelas ciências naturais. Em 1828, com o desinteresse pela Medicina, seu pai o enviou para estudar Teologia na Universidade de Cambridge, mas Darwin interessou-se por entomologia e Botânica. Bacharelou-se em janeiro de 1831. No mesmo ano, embarcou no Beagle para a América do Sul.

 

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Salvador

 

Darwin relatou que todo o trabalho braçal era feito por homens negros, que ficavam em torno das casas comerciais. Os negros gesticulavam muito e, quando encarados, cantavam para se alegrar.

Darwin e Rowlett contrataram um guia para visitar uma das principais igrejas da Cidade. O guia era um garoto irlandês de cerca de 13 anos, cujo pai havia sido sepultado na igreja dois meses antes. Ele sustentava a mãe e a irmã, chegaram como imigrantes. Nota-se, nesse relato de Darwin, um possível desapego com religião, pois as igrejas de Salvador são numerosas e suntuosas, mesmo para os padrões europeus, mas Darwin não faz qualquer comentário sobre elas. Salvador é a capital americana das igrejas e, desde o século 16, seus visitantes raramente deixam de fazer observações sobre elas.

O comerciante Mr. Gond emprestou cavalos para que eles visitassem sua casa de campo, Darwin escreveu: — We gladly accepted his offer & enjoyed a most delightful ride; one beautiful view after another opening upon us in endless succession.

Quatro de março, primeiro dia de Carnaval. Darwin e os tenentes Bartholomew James Sullivan e Clements Wickham arriscaram-se pelas ruas da Cidade e foram apanhados pelas brincadeiras do Entrudo. Bolas de cera recheadas de água, chamadas de limões de cheiro, foram atiradas contra eles.

Cinco de março, Darwin e Philip Gidley King (midshipman) exploraram alguns vales da Cidade por cerca de oito horas, coletaram aves, besouros e um beautiful large lizard.

Seis de março, Darwin estava incapaz de andar, com o joelho inchado. Ele passou os dias seguintes no navio, em recuperação, e escreveu em seu Diário: I have heard of interesting geological facts & am disabled from examining them; but instead of grumbling I must think myself lucky in having at all seen the glorious city of Bahia.

Darwin ouve de Cap Paget informações revoltantes sobre a escravidão no Brasil. Ele anota em seu Diário que a maior parte da população escrava na Bahia era mais feliz do que se poderia acreditar na Inglaterra, mas que todos os escravos, mesmo os mais bem tratados, preferiam retornar para a África. Citou o caso de um escravo que disse: Se eu pelo menos pudesse ver meu pai e minhas duas irmãs mais uma vez, eu seria feliz, eu nunca pude esquecê-los. Darwin mostrou aqui o lado humano dos escravos e criticou a discriminação que existia na Inglaterra para com os negros. Chamou os ingleses preconceituosos de selvagens polidos.

Cabe notar aqui, que a escravidão existia, nessa época, em vários territórios da América, Ásia e África. Existia inclusive em colônias britânicas do Caribe, abolida em 1834, e em Santa Helena, que durou até 1836. Na Bahia, muitos já lutavam pela abolição da escravatura, mesmo porque, Salvador foi palco de uma série de revoltas negras entre entre 1798 e 1835. Além disso, a participação dos negros e caboclos foi fundamental para a vitória brasileira em Dois de Julho de 1823, quando os portugueses foram expulsos da Bahia, a mais importante vitória para a Independência do Brasil.

Em 14 de março, Darwin alugou um barco, percorreu algumas milhas observando formações geológicas e passou algumas horas na praia.

Em 15 de março, o Beagle levantou âncora e sondou parte da Baía de Todos os Santos. O capitão Fitz-Roy relatou que sua equipe examinou minuciosamente o promontório do Farol da Barra e as condições de navegação na entrada da Baía. Darwin ficou em terra, procurou o garoto irlandês para intérprete e visitou os mesmos lugares do dia anterior. Depois, we entered a Venda & drank some most excellent Sangaro. Alguns negros reuniram-se curiosos em volta de Darwin, que acreditou tratar-se de seus equipamentos, como sua bússola, sua pequena pistola e sua rede entomológica (fly net). Darwin deixou um vinho na Venda e ficou encantado com a cortesia com que foi tratado pelos negros. À noite, ele hospedou-se no Hotel d'Univers.

Notas sobre o hotel

Na versão do Diário de Darwin, publicado pela Cambridge University Press (1988), registra-se "Hotel d Universe", sendo francês, o correto seria d'Univers (sem "e" no final). Por volta de 1850, um hotel com esse nome (Hotel d'Univers) encontrava-se na Ladeira de São Bento (veja ilustração de Samuel Brees).

Entretanto, existiu o Hotel do Universo, com endereço dado no Largo do Theatro (atual Praça Castro Alves). O Almanach para o Anno de 1845 - Bahia (Typ. de M.A. da S. Serva), indica "Hotel do Universo de João Baptista de Figueiredo, ao largo do Theatro: n’essa casa se hospedão as principaes pessoas, que aportão á esta Cidade".

Uma nota da professora Moema P. Augel em uma publicação dos esboços de viagem de Maximiliano de Habsburgo, que esteve na Bahia, em 1860, indicou que o Arquiduque hospedou-se no Hotel Universo. O Arquiduque citou, em seus esboços de viagem, que hospedou-se no Hôtel Février. Augel esclarece que seria o Hotel Universo, de propriedade do francês Pierre Février, registrado nos almanaques administrativos, desde 1858. Mas, este, não seria o mesmo hotel registrado na ilustração de Brees, como Hotel d'Univers, pois o Arquiduque citou que o Hôtel Février possuía "apenas uma fachada bastante insignificante, dando para a Praça do Theatro, e um letreiro que chama muito pouco a atenção". Decididamente, essa não é a descrição do Hotel d'Univers registrado por Brees.

Hotel do UniversoPara confundir ainda mais, o Almanak Administrativo Mercantil e Industrial da Bahia para o Anno de 1860, registra, entre os hotéis: Pedro Fevrier, (hotel l'Univers) largo do Theatro 3. No mesmo Almanak, mas para o ano de 1855, vê-se o anúncio ao lado.

Cabe especular se a ilustração de Brees seria, na verdade, anterior a 1845 e que o hotel teria mudado de endereço.

Em 16 de março, Darwin fez uma longa caminhada, coletou um grande número de plantas e insetos. Por volta do meio dia, subiu à bordo do HMS Samarang, um navio britânico de combate, e jantou lá. À noite, retornou para o Beagle, onde dormiu em sua rede.

Em 17 de março, Darwin e King fizeram uma última caminhada pela Cidade.

Em 18 de março, o Beagle zarpou de manhã cedo. Darwin registrou em seu Diário: if I have already seen enough of the Tropics to be allowed to judge, my report would be most favourable; nothing can be more delightful than the climate, & in beauty the sky & landscape are unparalleled in a colder zone.

Em 27 de março, o Beagle chegou ao Arquipélago de Abrolhos, nas águas sul da Bahia, e começaram a explorar as ilhas. Continuaram, no dia seguinte, estudando as profundidades, as formações geológicas e a vegetação. Fitz-Roy impressionou-se com as grandes diferenças de profundidade na área em volta das ilhas, observando que não havia encontrado tanta irregularidade em qualquer outro lugar.

Em 29 de março, dois barcos desembarcam em uma das ilhas. O capitão Fitz-Roy relatou que, ao desembarcar, um grande bando de aves levantou voo e escureceu o céu. Era época de acasalamento, os ninhos estavam cheios de ovos e cobriam completamente o chão. Em pouco tempo eles encheram os barcos com ovos e aves abatidas. Darwin não estava nesse grupo. Ele explorou as rochas, plantas e insetos. Demonstrou em seu relato não ter apreciado a matança das aves. Notou que mataram mais aves do que conseguiram levar nos barcos.

Encontraram tartarugas e Fitz-Roy relatou ter visto a carapaça de uma tartaruga extremamente grande em uma das ilhas. Pescaram grandes peixes parecidos com o bacalhau. Segundo Fitz-Roy, um deles era tão grande que pensaram ser um tubarão antes de ser içado a bordo.

Em 30 de março, depois de mais algumas sondagens, o Beagle partiu para o Rio de Janeiro. Chegaram lá em 4 de abril e fizeram expedições pela região nos dias seguintes. Em 9 de maio, três membros da expedição do Beagle, que caçaram no Rio Macacu, estavam com grave febre, provavelmente com malária. Fitz-Roy observou que aquela região era conhecida entre os nativos como sendo um foco perigoso dessa doença (não se sabia, na época, que a malária é transmitida por mosquitos). Em 10 de maio, o Beagle retornou para a Bahia levando os três companheiros doentes. Darwin ficou no Rio de Janeiro.

O retorno do Beagle a Bahia já estava decidido pelo capitão Fitz-Roy, antes da doença de seus companheiros. Ao chegar ao Rio de Janeiro, Fitz-Roy verificou incoerência nas observações astronômicas relativas à longitude, em comparação às tomadas na Bahia, reclamou que seus instrumentos de medição eram de baixa qualidade e que ele não estava acostumado a usá-los. Ele decidiu, então, refazer as medições tomadas na Bahia.

Acreditou-se que uma mudança de ares faria bem aos doentes, por isso eles retornaram a Bahia junto com Fitz-Roy, mas os três companheiros morreram. Eram o marinheiro Morgan, o boy Jones e o jovem Charles Musters. Morgan faleceu durante a viagem de retorno e seu corpo foi baixado ao mar. Jones faleceu um dia depois de ter chegado na Bahia (dois dias depois, segundo Darwin) e Musters, dois dias depois disso, em 19 de maio. Jones e Musters foram sepultados no Cemitério Britânico do Bahia.

Fitz-Roy verificou que as medições feitas na Bahia estavam corretas e, em 23 de maio, o Beagle retornou para o Rio de Janeiro.

A expedição do Beagle fez uma volta ao mundo em suas explorações científicas. Depois do Rio de Janeiro, seguiu para Montevideo em julho de 1932. Depois passou  pela Argentina, Falkland, Chile, Peru, Galápagos, ilhas do Oceano Pacífico, Nova Zelândia, Austrália, ilhas do Oceano Índico, Cabo da Boa Esperança (África do Sul), ilhas de Santa Helena e Ascension.

Em 23 de julho de 1836, o Beagle deixou da ilha britânica de Ascensão, no Oceano Atlântico, e tomou a direção da América do Sul. Darwin relatou que foi uma surpresa e frustração para aqueles que estavam ansiosos para retornar a Inglaterra. Mas ele ficou contente em saber que o destino o levaria mais uma vez a Bahia.

O Beagle chegou, pela terceira vez em Salvador, em 1º de agosto de 1836. Darwin relatou que algumas das belas mangueiras que enfeitavam a paisagem da Cidade foram derrubadas durante a última revolta dos negros (Revolta dos Malês, 1835). Durante os quatro dias que passou na Bahia, ele fez longas caminhadas, continuou maravilhado com a beleza do exuberante cenário tropical. Em uma frase, depois apagada, ele observou: I can truly say that I have never in my life relished a keener pleasure, than whilst gazing on some of these charming views.

Darwin observou ainda que os prédios, especialmente os edifícios religiosos, eram construídos em um estilo arquitetônico peculiar e um tanto fantástico, todos brancos lavados. Observou também, que era um desafio tentar descrever o belo efeito do sol brilhante, com o céu azul, sobre os edifícios brancos envoltos pela vegetação. Por fim, relatou: In the last walk I took, I stopped again and again to gaze on such beauties, & tried to fix for ever in my mind, an impression which at the time I knew must sooner or later fade away. The forms of the Orange tree, the Cocoa nut, the Palms, the Mango, the Banana, will remain clear & separate, but the thousand beauties which unite them all into one perfect scene, must perish: yet they will leave, like a tale heard in childhood, a picture full of indistinct, but most beautiful figures.

Na tarde de 6 de agosto, o Beagle deixou a Bahia, em direção ao Recife, onde ficou por cinco dias. Em 17 de agosto, o Beagle deixou o Brasil. Chegou finalmente na Inglaterra, em dois de outubro de 1836.

Em 1859, Darwin publicou sua mais importante obra: A Origem das Espécies.

 

Capitão Beagle

 

Cemiterio Britanico Bahia

 

Atobas

 

Ave Galapagos

 

HMS Beagle

 

Carnaval

 

Salvador Seculo 19

 

Relatos de Darwin sobre o Carnaval da Bahia

4th This day is the first of the Carnival, but Wickham, Sullivan & myself nothing undaunted were determined to face its dangers. — These dangers consist in being unmercifully pelted by wax balls full of water & being wet through by large tin squirts. — We found it very difficult to maintain our dignity whilst walking through the streets. — Charles the V has said that he was a brave man who could snuff a candle with his fingers without flinching; I say it is he who can walk at a steady pace, when buckets of water on each side are ready to be dashed over him. After an hours walking the gauntlet, we at length reached the country & there we were well determined to remain till it was dark. — We did so, & had some difficulty in finding the road back again, as we took care to coast along the outside of the town. — To complete our ludicrous miseries a heavy shower wet us to the skins, & at last gladly we reached the Beagle. — It was the first time Wickham had been on shore, & he vowed if he was here for six months it should be [the] only one.

 

Charles Darwin

 

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Texto original das primeiras impressões de Darwin ao chegar em Salvador, registrado em seu Diário.

About 11 oclock we entered the bay of All Saints, on the Northern Side of which is situated the town of Bahia or St Salvador. It would be difficult [to] imagine, before seeing the view, anything so magnificent. — It requires, however, the reality of nature to make it so. —if faithfully represented in a picture, a feeling of distrust would be raised in the mind, as I think is the case in some of Martins* views. — The town is fairly embosomed in a luxuriant wood & situated on a steep bank overlooks the calm waters of the great bay of All Saints. The houses are white & lofty & from the windows being narrow & long have a very light & elegant appearance. Convents, Porticos & public buildings vary the uniformity of the houses: the bay is scattered over with large ships; in short the view is one of the finest in the Brazils. — But their beauties are as nothing compared to the Vegetation; I believe from what I have seen Humboldts glorious descriptions are & will for ever be unparalleled: but even he with his dark blue skies & the rare union of poetry with science which he so strongly displays when writing on tropical scenery, with all this falls far short of the truth. The delight one experiences in such times bewilders the mind. —if the eye attempts to follow the flight of a gaudy butter-fly, it is arrested by some strange tree or fruit; if watching an insect one forgets it in the stranger flower it is crawling over. — if turning to admire the splendour of the scenery, the individual character of the foreground fixes the attention. The mind is a chaos of delight, out of which a world of future & more quiet pleasure will arise. — I am at present fit only to read Humboldt; he like another Sun illumines everything I behold.

* Presumivelmente o pintor inglês John Martin (1789-1854).

 

 

 

Historia da Bahia

 

 

 

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Por Jonildo Bacelar

 

Charles Darwin na Bahia